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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

TROMBOSE E O ANTICONCEPCIONAL!

 Universitária descobre trombose venosa cerebral após uso contínuo de anticoncepcional

A universitária Juliana Pinatti Bardella, de Botucatu, interior de São Paulo, descobriu uma trombose venosa cerebral após fazer o uso contínuo de anticoncepcionais, recomendados por um médico. Ela narrou sua história pelo Facebook, nesta terça-feira, 2, e tem sido amplamente compartilhada na rede social.

No texto, Juliana conta que procurou uma médica do hospital de sua cidade porque sentia fortes dores de cabeça, mas recebeu apenas um diagnóstico de enxaqueca e não pediu exames neurológicos mais profundos, mesmo depois que ela mesma insistiu para fazer.

"Era sexta-feira, dois dias após ter ido ao hospital. Acordei pela manhã para ir à aula, quando fui levantar da cama minha perna direita não respondeu ao meu comando, mas com algum esforço levantei. Escovando os dentes percebi que minha mão direita também não estava normal. Tentei me vestir, sem sucesso. Aquilo estava muito estranho, então não fui a aula e resolvi esperar passar. Não passou", descreveu.

Depois de ter a visão prejudicada, mais dor de cabeça quando passou o efeito do remédio para enxaqueca passou e não conseguir fazer atividades simples do dia a dia, ela conseguiu autorização para fazer uma ressonância magnética e chegou ao diagnóstico: trombose venosa cerebral, é um tipo de acidente vascular cerebral em que um coágulo de sangue entope uma das veias do cérebro, impedindo a circulação de sangue e a oxigenação.

"Foi um choque, não consegui entender bem o que estava acontecendo, o médico me perguntou se eu tomava anticoncepcional, eu disse que sim, há cinco anos, e então ele disse que essa poderia ser a causa do problema. Cinco anos de Yaz, três ginecologistas diferentes, e nenhum me alertou sobre a trombose, mesmo perguntando a respeito, nenhum falou que seria um risco. Não tenho histórico familiar, não sou fumante e os exames de sangue estavam normais, não tinha predisposição a ter trombose", explicou.

O post já foi compartilhado por 17 mil pessoas em menos de 24 horas e serve como um alerta para mulheres que usam anticoncepcionais.

Leia o texto na íntegra:

"Última cartela. Último comprimido.
Começou com uma pequena dor de cabeça. A dor foi aumentando gradativamente durante três semanas, até ficar insuportável.
Fui ao hospital em Botucatu, onde a médica me receitou remédios para enxaqueca, não pediu nenhum exame e não quis me encaminhar para um neurologista (mesmo com minha insistência), pois disse que não era o caso.
Era sexta-feira, dois dias após ter ido ao hospital. Acordei pela manhã para ir à aula, quando fui levantar da cama minha perna direita não respondeu ao meu comando, mas com algum esforço levantei. Escovando os dentes percebi que minha mão direita também não estava normal. Tentei me vestir, sem sucesso. Aquilo estava muito estranho, então não fui a aula e resolvi esperar passar. Não passou.
Alguns minutos depois peguei o celular para fazer uma ligação, mas foi muito difícil, fiquei muito tempo olhando para a tela sem saber o que fazer, como se tivesse esquecido como manusear um telefone. Deixei o celular de lado e fui ao banheiro, e para o meu maior desespero não sabia mais usar o banheiro, fiquei olhando pela porta e não sabia mais por onde começar, como isso era possível?
Minha visão começou a ficar turva depois de algum tempo. Já não conseguia fazer nada sozinha, não realizava nenhum raciocínio básico.
Minhas amigas que moram comigo me socorreram, me ajudaram a usar o banheiro, fizeram as ligações que eu precisava, me ajudaram a comer, e principalmente, me mantiveram calma para esperar até que minha mãe ,vindo de outra cidade, chegasse.
Meus pais resolveram me levar com urgência para um hospital em São Paulo, na viagem o efeito do remédio para enxaqueca havia passado, a dor voltou muito mais forte.
No hospital realizei alguns exames, administraram três medicamentos para a dor, sem sucesso, a dor continuou forte. Em poucas horas fui chamada para saber o resultado dos exames e na ressonância magnética foi diagnosticada trombose venosa cerebral.
Foi um choque, não consegui entender bem o que estava acontecendo, o médico me perguntou se eu tomava anticoncepcional, eu disse que sim, há cinco anos, e então ele disse que essa poderia ser a causa do problema.
Cinco anos de YAZ, três ginecologistas diferentes, e nenhum me alertou sobre a trombose, mesmo perguntando a respeito, nenhum falou que seria um risco. Não tenho histórico familiar, não sou fumante, e os exames de sangue estavam normais, não tinha predisposição a ter trombose.
Foram três dias dentro da UTI, e um total de quinze dias de internação. A causa era mesmo o anticoncepcional, um remédio que era pra estar me ajudando, mas que ali poderia ter me causado uma seqüela irreparável ou até mesmo algo pior.
De certa forma me culpei por ter ignorado as notícias sobre a trombose que via na internet ou que ouvia falar. Confiava demais no YAZ, confiava demais em mim mesma, pensava que aquilo não iria acontecer comigo.
Após o diagnostico parece que virei um imã de histórias de trombose, ouvi incontáveis casos como: a amiga que teve trombose na perna ou no braço, a outra amiga também com trombose venosa cerebral que teve que realizar cirurgia, a menina que tem que tomar anticoagulante pro resto da vida por causa da trombose, e o pior, como a amiga que morreu de tromboembolismo pulmonar.
Todos os casos eram mulheres jovens e que tomavam anticoncepcional.
Não sou contra o anticoncepcional, acredito que ele traga benefícios sim, mas sou contra a negligência de se receitar anticoncepcional indiscriminadamente sem informar adequadamente seus riscos, e da própria negligência de tomar um medicamento durante tantos anos sem desconfiar que poderia ser prejudicial e poder levar até mesmo a morte.
Mulheres, preocupem-se, pesquisem e perguntem!"

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

França suspende venda de pílula Diane 35


A França suspendeu hoje a venda da pílula Diane 35, ligada à morte de quatro mulheres em 25 anos, anunciou a Agência de Segurança Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (ANSM) francesa.

O diretor da ANSM, Dominique Maraninchi, disse em conferência de imprensa que a medida será aplicada de modo faseado durante três meses para permitir às utilizadoras do medicamento encontrarem uma alternativa.

A ANSM tinha anunciado no domingo que relacionou a Diane 35, do laboratório Bayer, com quatro mortes por trombose venosa, depois de uma investigação que começou com a denúncia de uma jovem vítima de um acidente vascular cerebral.

O medicamento é autorizado para tratar a acne, mas os médicos têm-no receitado como contracetivo porque impede a ovulação, disse Maraninchi.

"Este medicamento não está autorizado para utilização como contracetivo", insistiu, adiantando que existem em França "muitos contracetivos alternativos que podem ser usados".

Em 25 anos, quatro mulheres morreram de coágulos sanguíneos atribuídos à Diane 35, segundo a ANSM, que indicou que mais de 300 mil mulheres usam o medicamento como contracetivo em França.
 
No último domingo (27), o Ministério Público francês abriu um inquérito preliminar para avaliar 14 casos relacionados ao uso da Diane 35.

O medicamento também é comercializado no Brasil e está sendo avaliado pelas autoridades de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que está acompanhando o caso para avaliar que medidas devem ser tomadas.

Segundo informações da agência brasileira, até o momento, não foram notificados relatos de profissionais de saúde sobre problemas envolvendo o uso do Diane 35. No Brasil, a bula do medicamento já traz alertas referentes ao risco de trombose arterial ou venoso devido ao uso do produto.
 
Fonte: DN Globo e O Globo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Homeopatia e Catolicismo são compatíveis?

 

Segundo Dom Estêvão Bettencourt, em seu opúsculo para a Escola Mater Ecclesiae:

1.Etimologia

Apalavra homeopatia vem do grego, ou seja, dos vocábulos homoios, semelhante,e pathos, dor, enfermidade. No início do século XIX, tal palavra foicriada para designar o sistema de prática médica fun­dado em Leipzig (Alemanha)pelo Dr. Hahnemann em 1796. Essa nova terapia se opunha à alopatia (do gregoallos, outro) ou à medicina convencional. Ba­seava-se num princípio muito caro aos antigos, que rezava: Similia similibus curantur, (as coisas ou os efeitossemelhantes curam-se com coisas ou efeitos semelhantes) e proclamava o seguinte programa: as doenças sejam tratadas por doses mínimas de re­médios que produzirão em pessoas sadias os mes­mos sintomas que produzem nos enfermos dessa doença ou os mesmos sintomas que causam em pessoas enfermas.

2.Em que consiste a homeopatia?

Ahomeopatia ou homeoterapia é um sistema médico fundado no séc. XVIII porChristian Friedri­ch Samuel Hahnemann (1755-1843). Apresentan­do uma doutrina coerente, se bem que maleável, a homeopatia baseia-se no princípio da similitude, no princípio da diluição ou atenuação da substância medicamentosa,e ainda nos princípios de indivi­dualização do doente e do remédio.

2.1.Descoberta do princípio de similitude

Insatisfeito com a medicina de seu tempo, Hahnemann interrompeu a prática clínica e dedi­cou-sea traduzir livros médicos como ganha-pão. Em 1790, com 35 anos de idade, ao traduzir a obra A Matéria Médica, de William Cullen (1710-1790), ficouintrigado pelas explicações dadas a respeito das propriedades da quina.

Hahnemann decidiu experimentar em si mes­mo a ação da droga, tomando durante vários diasfortes doses. Observou o aparecimento de sinto­mas de um estado febril intermitente, semelhante às febres curadas pela quina. Concluiu então que assubstâncias que provocam uma espécie de fe­bre cortam as diversas variedades de febre inter­mitente.

Hahnemann realizou, em si e seus discípu­los, experiências semelhantes com o mercúrio, abeladona, a digital e outras drogas, chegando sempre a resultados idênticos.Formulou então o prin­cípio similia similibus curantur (os semelhantes sãocurados pelos semelhantes), base de sua dou­trina homeopática. Retomandocontato com alguns aspectos da tradição hipocrática (principalmente o seu sintomatologismo), Hahnemann expõe suas concepções médicas sucessivamente no Organonder Heilkunst (1810; Sistema de medicina), em Reine medizinischeWissenschaft (1811-1821; Ci­ência médica pura), e em Homöopathische Lehreund Behandlung der chronischen Krankheiten (1822; Teoria e tratamento homeopático das doen­ças crônicas).

Atualmente,poderia formular-se o princípio essencial da homeopatia da seguinte forma: todasubstância que, em dose ponderável, é capaz de provocar no indivíduo sadio umquadro sintomáti­co dado, pode também fazer desaparecer sintomas semelhantes noindivíduo doente, se prescrita em pequenas doses.

2.2.Princípio de diluição ou atenuação

Na definição de homeopatia, está já incluído um outro princípio cuja descoberta sedeve igual­mente a Hahnemann. Para a medicina homeopáti­ca, o processo depreparação dos medicamentos baseado em diluições infinitesimais seria capaz de desenvolver extremamente as virtudes medicinais dinâmicas das substâncias grosseiras.

A diluição hahnemanniana é preparada de acordo com o método dos frascos separados, em diluições decimais ou centesimais, as quais são as mais usadas na França e no Brasil. Para obter a primeira diluição centesimal, coloca-se no primeiro frasco uma parte ponderável do medicamento e completa-se com cem partes, em volume, do veí­culo. Para obter uma segunda diluição centesimal, uma parte do volume da primeira diluição é despe­jada no segundo frasco e acrescentam-se 99 par­tes, em volume, do veículo. Para as diluições ulte­riores procede-se da mesma maneira até o último frasco. A escala decimal faz-se acompanhar por um X (ou um D). Se a escala é centesimal, não é necessário adicionar sinal algum, embora se usem por vezes as letras CH ou apenas H.

2.3.Princípio de individualização do doente

Na perspectiva hahnemanniana, não existem propriamente doenças, mas doentes. Sendo toda doença individual, todos os sintomas têm importân­cia, pois traduzem a reação individual do doente. É indispensável individualizar a doença e a forma que ela reveste no sujeito considerado. Conseqüente­mente, cada forma clínica é ao mesmo tempo uma forma terapêutica. Embora todos os sintomas se­jam importantes, não deixa de ser necessário ava­liar a importância peculiar de cada um deles e, even­tualmente, sua significação especial no conjunto.

2.4. Individualização do remédio

Se a doença exprime seus caracteres pelos sintomas que provoca no homem doente, é por aqueles que provoca no homem sadio que o remé­dio exprime os seus efeitos.À imagem da doença corresponde uma contra-imagem do remédio. As características do remédio são obtidas pela expe­rimentação no homem sadio.

3.Evolução da homeopatia

Ainda em vida do mestre, mas, sobretudo, após sua morte, os discípulos de Hahnemanndi­vergiam quanto à atitude a adotar frente à medicina dominante: os 'puros'defendiam uma orientação exclusivamente homeopática, enquanto os 'ecléti­cos'eram favoráveis à utilização de outras tera­pêuticas, sempre que necessário.

Se bem que continue sendo uma corrente minoritária dentro da medicina contemporânea, a homeopatia, favorecida por um renascimento do hi­pocratismo,tem obtido nos anos mais recentes uma audiência crescente. Os autores homeopatas as­sinalam mesmo uma convergência entre as suas concepções fundamentais e as principais desco­bertas da medicina moderna oficial, pondo ao mes­mo tempo em relevo o uso diferente que fazem des­sas descobertas.

A vacinação, as curas realizadas com princí­pios extraídos das próprias manifestações patogê­nicas, os antibióticos (em homeopatia, substituídos pelosnosódios e bioterápicos, simples ou comple­xos), os tratamentos de alergias baseados em es­pecíficos individuais, aparentam-se ao princípio da similitude hahnemanniano. Quanto à atenuação da substância medicamentosa, os homeopatas obser­vam que a medicina clássica faz hoje uso corrente de diluições elevadíssimas.

 

4.Conclusão

De toda esta explanação depreende-se que a homeopatia, como tal, não está associada ao Espiritismo nem a alguma corrente "mística".

O tratamento homeopático é compatível com a fé católica. Há mesmo muitas pessoas genuina­mente católicas hoje em dia que se tratam pela ho­meopatia. Se os espíritas privilegiam tal tratamen­to, isto se deve a interpretações pessoais não obri­gatórias.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Os Efeitos das Drogas Durante a Gravidez

Durante o desenvolvimento embrionário o único contato do bebê com o meio externo é a mãe, sendo esta, portanto de importância vital. A atitude da mãe durante a gravidez tem significativo peso na formação e no futuro do embrião. Se até mesmo os hábitos alimentares e o estado emocional da gestante contribuem no desenvolvimento do bebê, muito há o que dizer sobre os costumes dos vícios, mau uso dos fármacos e suas conseqüências desastrosas no período da gestação. Antigamente acreditava-se que o embrião estaria protegido no útero materno e livre de agentes externos. Mas hoje sabe-se que a placenta não é um filtro seletivo por onde passa apenas o que é benéfico ao bebê. Todas as substâncias nocivas e fármacos usados pela mãe durante a gestação também chegam ao embrião. Os efeitos do uso de drogas durante a gravidez variam de acordo com a substância usada, a dose e a idade gestacional. O período embrionário é o de maior sensibilidade na formação do ser humano. Por isso, o uso de medicamentos, drogas lícitas ou ilícitas principalmente neste estágio, desenvolve no embrião anomalias graves.

O abuso do álcool, tabaco e diversas outras drogas causam problemas de saúde em qualquer pessoa; na mulher grávida os efeitos das drogas são agravados devido às complicações na gestação e no bebê as causas são piores ainda, pois o embrião é impedido de ter uma formação normal, com conseqüências que podem variar de ausência de membros, retardamento mental até desajuste social. Portanto, o uso de drogas e remédios inadequados durante a gravidez produz respostas diferentes no feto e na mãe, causando resultados mais graves no bebê do que na gestante.

As drogas e os medicamentos durante o processo da gravidez conseguem ultrapassar a barreira placentária e consequentemente atingir o feto. Uma vez passada essa barreira, o risco de causar danos ao feto aumenta muito, devido a elevadas dosagens que chegam até ao bebê, alterando a formação de seus órgãos em desenvolvimento. Drogas, como tabaco, cocaína, bebidas contendo álcool, medicamentos controlados entre outros, infelizmente são comuns em determinadas mulheres durante a gestação. Além de poder provocar um aborto, essas drogas alteram o desenvolvimento do embrião causando malformação congênita, problemas de crescimento, déficit intelectual, parto prematuro, descolamento prematuro da placenta. Também expõe futuramente a criança à possibilidade de ter problemas com os vícios, inadequação social, hiperatividade, dificuldades na atenção, no aprendizado.

São poucas doenças que justificam o uso de medicamentos durante a gravidez, como diabete, hipertensão e epilepsia. Deve-se levar em consideração a falta do acompanhamento médico no pré-natal e o sério problema da automedicação, costume talvez adquirido pela gestante antes da gravidez, mas que no período gestacional pode levar a transtornos graves para a mãe e bebê.

No passado, a medicina não conhecia os teratógenos, acreditava-se que o embrião estava protegido no ventre materno, livre de agentes ambientais. Em 1941 foi descrita a síndrome da rubéola congênita. Se durante a gestação, principalmente nos três primeiros meses, a mãe fosse infectada por esta doença, as conseqüências causavam aborto, morte fetal, parto prematuro e malformações no bebê. Então, descobriu-se que no útero, o bebê não estava totalmente protegido de agentes externos. No entanto o fato que levou a investigar os efeitos dos agentes externos no desenvolvimento embrionário foi a tragédia da talidomida.

Entre os medicamentos que causam deformações no bebê está a talidomida, que foi desenvolvido na Alemanha, em 1954, inicialmente como sedativo e para controle de vômitos, sendo inclusive usado pelas gestantes contra enjôos. Antes de ser vendida livremente, a talidomida foi testada em coelhos, não produzindo nenhuma alteração nestes animais. O uso de talidomida por mulheres grávidas ocasionou o nascimento de milhares de crianças com focomelia, que é o encurtamento dos membros junto ao tronco do feto semelhantes aos de uma foca ou com amelia, que é a ausência do membro. Estima-se que 10 mil crianças tenham sido atingidas pela talidomida, sem contar os casos de aborto.

A talidomida é um teratógeno potente, apenas um comprimido deste medicamento nos três primeiros meses de gestação é suficiente para provocar a focomelia. Outras conseqüências graves são defeitos na visão, audição, coluna vertebral e, em casos mais raros, no tubo digestivo e problemas cardíacos. Descobriu-se posteriormente que a talidomida não causa defeitos hereditários. Até hoje as más formações causadas pela talidomida são consideradas como o maior desastre da medicina. Em 2010, no Brasil foi sancionada uma lei que indeniza 277 vítimas da talidomida oficialmente reconhecidas.

O efeito da talidomida foi descoberto em 1961 e foi a tragédia causada por este medicamento que despertou no mundo científico o interesse por desvendar os riscos que os agentes químicos representam no desenvolvimento pré-natal. Em 1965 descobriu-se uma utilidade para a talidomida, desta vez no tratamento da hanseníase e assim passou a ser reintroduzido no mercado brasileiro. Depois esta droga passou também a ser utilizada no tratamento contra aids, lupus e alguns tipos de câncer. O uso da talidomida é proibida para mulheres em idade fértil em todo o território nacional. No entanto, apesar da proibição, pode ser receitada pelos médicos em casos especiais. Mas, mesmo com a assinatura no Termo de Esclarecimento aos Pacientes e Termo de Responsabilidade Médica, tanto médico como paciente podem ser responsabilizados, com punições legais, pelo mau uso da droga. Deve-se ressaltar que a talidomida inibe o efeito dos anticoncepcionais e que o homem que faz uso da talidomida também deve evitar gerar filhos. Ainda não é conhecido o período seguro para a eliminação da talidomida pelo organismo, mas estima-se o prazo mínimo de um ano após o uso desta substância para que o bebê possa ser gerado com segurança.

Os calmantes são drogas com potencial teratogênico. Os calmantes não devem ser utilizados durante a gravidez por desenvolver no embrião malformações graves, depressão do sistema nervoso central e flacidez da musculatura do bebê. Se o calmante for utilizado pela gestante nos três primeiros meses de gravidez pode resultar no embrião malformações na boca, como lábio leporino e fenda palatina. Se a gestante continua utilizando calmante após os três primeiros meses de gravidez, o bebê ao nascer pode apresentar síndrome de abstinência, caracterizada por tremores, dificuldades respiratórias, irritabilidade, inquietação, vômitos. Os calmantes também provocam distúrbios do sono e dificuldade de alimentação nos recém-nascidos. Futuramente, a criança corre o risco de se tornar dependente do medicamento que foi utilizado pela mãe durante a gravidez.

O tabaco é a droga mais consumida durante a gravidez e é o maior responsável por abortos espontâneos e atraso do crescimento do feto. A nicotina ultrapassa a barreira placentária com facilidade. A associação entre tabagismo e problemas na gravidez foi detectada na década de 1950. O tabaco, com suas várias substâncias prejudiciais, como o monóxido de carbono e a nicotina, alteram o funcionamento da placenta, prejudicando o bebê. O monóxido de carbono altera o desenvolvimento fetal devido a sua afinidade com a hemoglobina, sendo transmitida, portanto ao feto pelo cordão umbilical, aumentando a concentração no seu organismo, causando apneia, reduzindo a passagem de sangue da placenta para o feto, diminuindo a oxigenação e a quantidade de nutrientes que chegam ao feto.

O uso do tabaco pela gestante gera efeitos danosos ao bebê, ocasiona baixo peso ao nascer, que é a principal causa de morte infantil. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos entre 1979 e 1983 constatou que se todas as mulheres parassem de fumar, o índice de mortalidade fetal e infantil seria reduzido em 70%. Esta pesquisa ainda revelou que o primeiro filho de mulheres que fumaram menos de um maço de cigarro por dia tiveram um risco de mortalidade 25% superior ao primeiro filho de mulheres não fumantes. Crianças filhas de mães que fumaram mais de um pacote de cigarro por dia apresentaram um risco de mortalidade de 56% a mais do que filhos de mães não fumantes. Foi observado que o segundo ou mais filhos de mulheres fumantes tiveram 30% de mortalidade maior em relação às crianças de mães não fumantes.

O tabaco pode gerar cólicas e irritabilidade no recém-nascido, causa lesões cerebrais que se manifestam na infância como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), produz nas crianças expostas ao fumo quoeficientes de inteligência (QI) menores do que em filhos de mães não fumantes, riscos de doenças respiratórias, asma, alergias, distúrbios do sono e probabilidade da criança desenvolver no futuro o vício pelo tabaco. Além de todos esses efeitos, o tabaco causa o aborto espontâneo, descolamento prematuro da placenta, gravidez tubária, diminuição da produção de leite e aumento das complicações pré e pós-parto.

O tabagismo passivo é também um fator de risco no desenvolvimento embrionário. Deve-se atentar ao fato de que a mulher grávida que não é fumante, mas que está constantemente em contato com a fumaça do cigarro também está exposta e expõe seu bebê aos malefícios do fumo. Estima-se que uma hora de inalação passiva de fumo equivale inalar ¼ (um quarto) da nicotina normalmente eliminada em um cigarro.

O álcool é a principal droga utilizada no mundo e a ingestão de bebidas alcoólicas tornou-se comum na vida de grande parte das grávidas. Assim, o álcool tornou-se a principal causa de retardo mental não hereditário. O álcool, por apresentar baixo peso molecular, atravessa facilmente a barreira placentária chegando ao feto, sob grandes concentrações, causando alterações no desenvolvimento do feto, como malformações e risco de aborto espontâneo. Além disso, o álcool ingerido no desenvolvimento embrionário, traz conseqüências na infância, conhecida como Síndrome Fetal do Álcool, que atinge cerca de 40% das crianças, causando déficit intelectual, retardo mental, baixo peso ao nascer, microcefalia, anomalias faciais, problemas cardíacos e em outros órgãos. Também devido às calorias vazias do álcool, a desnutrição materna acarreta uma desnutrição no bebê. O uso do álcool durante a gravidez também é responsável por causar na criança problemas de aprendizagem, memória, irritação, falta de coordenação motora, dificuldades da visão, audição e linguagem. Quase metade dos jovens acima de 20 anos, filhos de mães que consumiram álcool na gravidez, apresentaram problemas escolares, judiciais, relacionado a comportamento sexual, álcool ou drogas.

Como é nítido, o álcool não é apenas um problema de saúde, mas é um problema social, acarretando situações nocivas não apenas aos adultos, mas também às crianças vítimas de mães irresponsáveis. Portanto, a saúde, toda a vida social e escolar de uma criança pode ser corrompida pelo uso do álcool da mulher durante a gravidez. Deve-se alertar que não há uma quantidade segura para o uso do álcool pela gestante e que foi observado que mesmo o uso moderado ocasiona dificuldades de comportamento e aprendizado da criança. Bebidas alcoólicas também não devem ser ingeridas durante a amamentação, pois o álcool é transferido para o leite materno.

Entre as drogas ilícitas a cocaína é a mais usada na América do Norte, tem uma ação tóxica direta sobre o desenvolvimento fetal, causando muitos efeitos pré-natais. A cocaína, também como o tabaco, produz substâncias que durante o desenvolvimento do feto, causam aborto, prematuridade, microcefalia, baixo peso ao nascer. A cocaína causa malformações físicas, como visuais, hidrocefalia, fissura labial e palatina, cardiomegalia (aumento do coração), ausência dos rins, além de problemas neurológicos, morte súbita em crianças pequenas e dificuldades no aprendizado. A cocaína atravessa a barreira placentária, age diretamente sobre o sistema nervoso fetal e provoca no feto reações semelhantes do que ocorre na mãe. A intoxicação aguda causada pela cocaína provoca efeitos devastadores nos primeiros anos de vida da criança.

A maconha é a droga ilícita mais utilizada durante a gravidez. O uso intenso da maconha durante a gravidez causa os mesmos efeitos produzidos pelo consumo de álcool. Questiona-se sobre a ação teratogênica ou não da maconha. No entanto, estudos demonstram que o uso da maconha durante o período da gravidez produz no recém-nascido tremores, dificuldades na amamentação, além de causar problemas de atenção, memória, raciocínio, impulsividade, hiperatividade e distúrbios de conduta.

Durante a gestação, no desenvolvimento embrionário, os cuidados para com o feto são essenciais, pois este é o momento em que os órgãos do embrião estão em formação, as células em mudanças contínuas. É durante o período embrionário que todas as estruturas internas e externas indispensáveis ao seres humanos são formadas. A mãe é o único meio de vida do feto, assim, suas atitudes podem influenciar muito no desenvolvimento do bebê. As conseqüências pelo uso de drogas durante a gravidez são visíveis e inegáveis, devido às malformações, os déficits que aparecem na infância e até sequelas que levam a morte da criança nos seus primeiros anos de vida. Contudo, os danos provocados pelo uso de drogas durante a gestação ultrapassam os limites da saúde da mãe e do bebê, causando prejuízos no âmbito social e escolar da criança. Portanto, as drogas na gravidez geram sofrimento da família e principalmente situações desastrosas na vida de um ser que mal começou a viver e já está exposto a tantos riscos. É necessário haver o respeito ao nascituro, que tem o direito de ser gerado com segurança e saúde.



Isis Sturzeneker Lemgruber
Sharla Maria Satheler Gonçalves



BIBLIOGRAFIA

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http://www.pastoraldacrianca.org.br/site/publicacoes/jornal/124/pag13.pdf

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http://blog.sbnec.org.br/2009/05/tabagismo-gestacional-como-fator-de-risco-para-o-tdah/

http://br.monografias.com/trabalhos/mundo-das-drogas/mundo-das-drogas2.shtml

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http://www.uff.br/cienciaambiental/mv/mv1/MV1(1-2)21-27.pdf

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/por-dentro-das-celulas/o-maior-desastre-da-historia-da-medicina

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http://www.maracajuspeed.com.br/?pag=ver_not&idNot=17585

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